Temos um conjunto de tecidos que cobrem todos os músculos; cada um desses tecidos é alimentado por um nervo e vasos sanguíneos. Este conjunto ainda pouco conhecido é a fáscia.
Acredita-se que existe uma forte relação dela com a psicologia e com o equilíbrio corporal, com relatos, inclusive, de recordações de momentos vividos a partir da manipulação desses tecidos.
O desenvolvimento do nosso sistema fascial começa como um gel fibroso ao redor das células do embrião em desenvolvimento. À medida que essas células se multiplicam, o mesmo ocorre com o gel que as envolve. A fáscia, composta de colágeno, elastina e substância fundamental, conecta tudo no corpo.
A matriz tensional da fáscia é tal que uma contração em uma parte do corpo pode ser sentida em qualquer outro lugar. Em termos práticos, isso significa que nossa rede fascial está continuamente formando, enquadrando e gerenciando nosso movimento. Acredita-se que experiências traumáticas emocionais podem ficar “inscritas” na fáscia, em forma de “nós”, de perda de movimento, e que a manipulação da fáscia e suas terminações nervosas implica em uma mudança da propriocepção, que geraria uma ação direta no sistema nervoso autônomo e, como resultado, uma mudança no tônus que regula a unidade motora em questão.
A visão reducionista considera cada parte do corpo separadamente, mas nenhuma de nossas células, exceto a original, foi separada. Segundo Tom Myers: “somos cultivados a partir de uma semente, não juntos em partes”. A fáscia torna evidente que a união mente corpo não é apenas uma ideia, mas uma realidade anatômica.
Independentemente dos estressores que experimentamos, um organismo continua a trabalhar incansavelmente para se manter como um todo unificado, homeostaticamente.
Fonte: @psicossomatica